Arnavutköy Istambul — Guia Completo do Bairro à Beira do Bósforo

Istambul é uma metrópole enorme, cada vez mais apertada pelo trânsito e pelos prédios que avançam sobre suas colinas. Ainda assim, o mundo inteiro não consegue deixar de admirá-la. Entre os bairros que resistem a esse concreto, um se destaca. Arnavutköy, no lado europeu do Bósforo, é uma pérola quase intocada: casarões de madeira, ruas estreitas com escadas e uma história que atravessa bizantinos, otomanos e gregos. Um bom guia de Arnavutköy Istambul começa pela orla e termina nas igrejas, mesquitas e casarões que guardam essa história.

1. Guia de Arnavutköy Istambul: a pérola do Bósforo

Casarões históricos à beira do Bósforo, guia de Arnavutköy Istambul

Saindo de Beşiktaş, depois de passar por Ortaköy e Kuruçeşme (bairros vizinhos à beira do Bósforo), você chega a Arnavutköy. Dá para reconhecer de longe. São os casarões históricos à beira d’água que entregam o bairro. Restaurantes de peixe, cafés e uma orla que se estende de ponta a ponta: vale a pena para aproveitar o Bósforo em qualquer estação do ano.

Nem tudo é antigo, claro. Algumas construções mais recentes destoam do conjunto. Mesmo assim, Arnavutköy ainda impressiona pelas casas antigas, ruas de pedra com escadarias, a riqueza arquitetônica e as flores coloridas que pendem das sacadas e enfeitam as portas — quase uma cidade de conto de fadas.

2. Um bairro autêntico, de casarões à beira d’água

Ruas históricas e casarões à beira d'água em Arnavutköy, Istambul

Arnavutköy fica no lado europeu do Bósforo. Pertence ao distrito de Beşiktaş. Mas atenção: não confunda com a cidade de mesmo nome que faz parte de Gaziosmanpaşa, bem mais ao norte de Istambul. O bairro está entre a orla de Kuruçeşme e a de Bebek; subindo as colinas, sua parte mais alta chega até Etiler e Ulus. E o charme? Assim como Kandilli, Kanlıca e Vaniköy, do lado asiático do Bósforo, Arnavutköy preserva até hoje sua estrutura autêntica — graças aos casarões à beira d’água e às colinas que ainda resistem ao concreto.

3. A Vila dos Anjos

Antiga igreja na região conhecida como Vila dos Anjos, em Arnavutköy

Na Antiguidade, a região recebeu o nome de Hestiai por causa das pedreiras de calcário ao redor. Veio então o período bizantino. O cônsul romano Promotos construiu uma vila ali, e o lugar passou a se chamar Promotu — a partir do século 6 d.C., Anaplus. Segundo a tradição local, a área reunia diversas igrejas e fontes sagradas, entre elas a Igreja de São Miguel, erguida por ordem do imperador Constantino e considerada um dos locais de culto mais importantes do Bósforo na época. A região guardava um ícone em mosaico do arcanjo Miguel. Daí o apelido, nada modesto: Vila dos Anjos.

4. Os jenízaros albaneses que deram nome ao bairro

Rua histórica de Arnavutköy, bairro que recebeu nome dos jenízaros albaneses

No período otomano, o bairro ficava sob a jurisdição administrativa de Galata; já na República, passou a integrar o distrito de Beşiktaş. Antes disso, era uma vila pequena. Ficava à beira do Bósforo e tinha poucas fontes sagradas.

Nada de poético aqui: o nome tem origem militar. Depois da conquista de Istambul em 1453, jenízaros de origem albanesa foram instalados na região — e é daí que vem o nome “Arnavutköy”, que em turco significa literalmente “vila dos albaneses”.

5. Um point de passeio muito concorrido

Colinas verdes de Arnavutköy, famosas como ponto de passeio desde o período otomano

No período bizantino, as colinas de Arnavutköy eram cobertas de vinhas. Com os otomanos, quem roubou a cena foram os morangos. Registros históricos indicam que os bosques no alto do bairro pertenciam aos sultões otomanos e que, a partir do século 16, a região virou um point de passeio concorrido, graças às vinhas e pomares. E a população? Até a metade do século 19, majoritariamente grega e judaica — o bairro era conhecido como um vilarejo grego arrumado e cheio de vida. Depois veio a boemia. No fim do período otomano, por causa das tabernas e casas noturnas, Arnavutköy chegou a ser chamado de “Pequena Beyoğlu” (o Beyoğlu é o bairro boêmio de Istambul por excelência).

6. O pão e a bolacha mais brancos

Rua antiga de Arnavutköy, bairro com forte presença de gregos e judeus até o século 19

Gregos e judeus eram maioria por ali até meados do século 19. Os muçulmanos vieram mais tarde. Foi durante o reinado do sultão Mahmud II que eles começaram a se instalar no bairro. E há um testemunho famoso. O viajante otomano Evliya Çelebi, em seu diário de viagens (o Seyahatname, do século 17), descreve Arnavutköy como o lugar “de pão e bolacha mais brancos, judeus refinados e musicais, cristãos gregos de origem laz, e muçulmanos em número bem pequeno”.

7. A estrada sobre palafitas

Orla reformada de Arnavutköy, onde antes ficavam os casarões à beira d'água

O Arnavutköy de antigamente — com suas fontes sagradas, vinhas, pomares, pavilhões entre os bosques e casarões alinhados à beira d’água — mudou bastante de rosto. Tudo começou com uma estrada. A partir da década de 1960, a via que ligava Ortaköy a Arnavutköy ficou estreita demais para o movimento, e boa parte dos prédios voltados para o mar precisou ser demolida para abrir a via costeira por onde passam os ônibus hoje. Foi nessa época que as construções de madeira começaram a ser derrubadas e substituídas por prédios de concreto. Vieram ainda os incêndios e, mais recentemente, a especulação imobiliária. O visual do bairro mudou rápido, e não para melhor. Depois de 1980, a via costeira foi ampliada sobre palafitas construídas dentro do mar. Resultado, quase irônico: muitos dos antigos casarões à beira d’água deixaram de estar, de fato, à beira d’água. Quem passa hoje de ônibus pela orla dificilmente percebe que está rodando sobre o mar.

8. O Casarão Ayvaz Paşazade

Fachada histórica do Casarão Ayvaz Paşazade em Arnavutköy

Um dos maiores atrativos de Arnavutköy são os casarões e mansões que, em outros tempos, tinham os pés na água. O maior deles? O Casarão Ayvaz Paşazade, também conhecido como Pavilhão Ali Vafi. Ali Vafi Bey, originário de Creta, comprou o casarão de um banqueiro armênio em 1915. A construção tem duas grandes saliências panorâmicas voltadas para o Bósforo, cada uma com duas claraboias menores ao lado, e logo atrás fica um bosque, o Bosque de Ali Vafi. Em 1919, um incêndio o destruiu. A boa notícia: a reconstrução, fiel ao projeto original, veio na década de 1980.

9. A Igreja Ortodoxa Grega de Taksiarhis

Igreja Ortodoxa Grega de Taksiarhis em Arnavutköy, Istambul

Erguida na praça de Arnavutköy, no lado europeu do Bósforo, a igreja atual foi construída entre 1896 e 1899. É dedicada ao arcanjo Miguel. Gregos ricos do século 16 atribuíam a ele poderes de cura. Sobre uma origem bizantina, não há registros de construção desse período no mesmo local, embora a tradição local associe a região a essa época.

O edifício já passou por diversos danos e reformas ao longo dos séculos; sua inscrição indica que foi erguido por Muzuros Paşa, cuja família tem um túmulo no lado sul do corpo principal da igreja.

10. A Mesquita Tevfikiye

Mesquita Tevfikiye na orla de Arnavutköy, construída no século 19

Na orla de Arnavutköy, ao lado de um posto policial, fica a histórica Mesquita Tevfikiye, do período otomano — também conhecida como “Mesquita de Arnavutköy” ou “Mesquita de Akıntı Burnu”. Pertence à administração de fundações religiosas da Turquia (Vakıflar). O arquiteto é desconhecido. O motivo é curioso. Diz-se que foi construída a mando do sultão Mahmud II em nome do príncipe Tevfik, numa época em que o bairro ainda não tinha moradores muçulmanos e os soldados do quartel próximo precisavam de um lugar para rezar. As obras começaram em 1832. A mesquita abriu para orações seis anos depois, em 1838.

11. O Pavilhão İzzetabad

Vista da orla de Arnavutköy, onde ficava o Pavilhão İzzetabad

Por último, o Pavilhão İzzetabad. Ele é outro dos antigos casarões e pavilhões que compunham a paisagem otomana de Arnavutköy, ao lado de construções como o Casarão Ayvaz Paşazade. Aqui, porém, há uma lacuna. Diferente dos outros pontos deste guia, não há registros históricos detalhados e verificáveis sobre sua construção e seus donos originais — então, se você passar por lá, vale perguntar aos moradores antes de tirar conclusões sobre sua história.

Fontes: Prefeitura de Beşiktaş, Wikipédia em turco (Arnavutköy, Beşiktaş), Wikipédia em português (Evliya Çelebi)

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